O retorno de Sepé Tiaraju - Jocelito Zalla

Neste artigo, buscarei elaborar uma breve genealogia das representações e dos usos do passado missioneiro no Rio Grande do Sul com enfoque na figura de Sepé Tiaraju. Como a memória popular, a historiografia e as demandas sociais de história modelaram os sentidos atribuídos à experiência das Missões Jesuíticas e as possiblidades de seu pertencimento à história brasileira na região Sul? As fontes principais são o folclore – no poema lendário “O Lunar de Sepé” (1910) – a historiografia tradicional – no chamado “Caso Sepé” (anos 1950) – e os usos políticos do passado guarani missioneiro e do mito de Sepé nas lutas populares pela terra e por reconhecimento – especialmente nos movimentos de trabalhadores sem-terra e na organização dos Mbyá-Guarani da região de São Miguel. Os resultados da pesquisa apontam para a persistência das perspectivas populares, apesar das tentativas de exclusão e de assimilação do patrimônio missioneiro no campo intelectual e no discurso oficial ao longo do século 20, constituindo um registro de memória folk rebelde que tensiona a identidade gaúcha conservadora.

Biografia do Autor

Jocelito Zalla, UFRGS

Doutor em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com estágio-sanduíche na Université Paris-Sorbonne (Paris-IV). Licenciado, bacharel e mestre em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Professor do Colégio de Aplicação da UFRGS. Pesquisador do Laboratório de Ensino de História e Educação (LHISTE/UFRGS). Tem experiência de ensino e pesquisa em História, com ênfase em História do Brasil República, e interesse pelos seguintes temas e áreas: regionalismo gaúcho, modernismo literário, Literatura Brasileira, folclorismo, biografia histórica, História Cultural, historiografia, ensino de História. 

Empreendimentos

Anú Preto, o porteiro das sombras, Pelincho Preto

Lê-se em contos de história e é fácil de perceber que a fronteira do Rio Grande do Sul é imensa, rica, extrema e passional em seus costumes, folclore e cultura. Mas em terras de tanta luta, tanta batalha, tantos países irmanados entre si, lutando e auxiliando-se a ponto de termos na época dos jesuítas uma nação com três bandeiras. Tanto amor e ódio misturado não poderia dar em outra coisa. Os mort...