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A República comunista cristã dos guaranis
O livro de Covis Lugon ostenta um título que alguns julgarão
paradoxal: a República Guarani poderá ter sido uma experiência
simultaneamente comunista e cristã. E se tal se pretende, o que é que
se abriga sob essas palavras?
Na medida em que, de uma parte, o comunismo implicaria
não só um modo de existência coletivista, mas também uma forma
de consciência ateia; na medida em que, de outra parte, o cristianismo
implicaria não só a fé em Deus, no Cristo, na Igreja, mas também
uma posição econômica individualista e liberal, nesta mesma medida
é evidentíssimo que a conjugação dos dois qualificativos não poderia
realizar-se sem incorrer-se em contradição. Isto significa que, na presente
obra, eles são tomados numa acepção diferente dessa acepção
monolítica.
Tal fato não faz supor que a experiência da República Guarani
tenha sido, pura e simplesmente, uma experiência espiritualmente
cristã e temporalmente comunista. Essa recíproca impermeabilidade,
cômoda para a teoria, acomoda-se mal à prática. E ajusta-se tanto menos
quanto é certo que, neste caso, os fatores cm presença conservam-
-se historicamente no estado nascente: a inspiração cristã, dirigindo-
-se aos grupos de neófitos, não encontra mais condições subjetivas de
maturidade do que a estrutura comunista que, repousando em bases
técnicas ainda rudimentares, não encontra suas condições objetivas
de maturidade. Daí resultaram aqueles aspectos de paternalismo
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