TCC propõe centro de resistência e valorização da cultura indígena no Rio Grande do Sul
A acadêmica Eduarda Berno Palharini, do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unijuí, desenvolveu um Trabalho de Conclusão de Curso que une arquitetura, memória histórica e justiça social. Intitulado “Tekoha: Centro de Resistência e Cultura Indígena do Rio Grande do Sul”, o projeto foi orientado pelo professor Tarcísio Dorn de Oliveira e propõe a criação de um complexo cultural voltado à valorização e à preservação dos povos indígenas.
A escolha do tema surgiu a partir de reflexões profundas sobre a história e a realidade local, especialmente relacionadas às violências e injustiças sofridas pelos povos indígenas desde o período da colonização. “Esse processo impôs mudanças forçadas que destruíram grande parte das formas de organização social e cultural dos povos indígenas, resultando na perda de terras, na marginalização e na dificuldade de acesso a recursos essenciais para a manutenção de seus modos de vida”, explica Eduarda.
Outro fator decisivo para a definição do tema está ligado à história do município de Ijuí, em especial do distrito de Itaí. Entre os anos de 1957 e 1968, o local abrigou dois internatos onde ocorreram práticas de apagamento cultural indígena, marcadas pela retirada de crianças de suas aldeias e pela negação de suas línguas, tradições e identidades. “Esse projeto também carrega um significado simbólico muito forte, sendo pensado como uma forma de lembrar e honrar todas as crianças que passaram por esse processo”, destaca a acadêmica.
Eduarda ressalta ainda a contradição existente entre a identidade multicultural do município e a invisibilidade histórica dos povos indígenas. “Ijuí é reconhecida como a Capital Mundial das Etnias, e, diante disso, torna-se contraditório não dar visibilidade aos povos que habitavam essas terras antes da colonização. Valorizar os povos indígenas é também reconhecer a origem de grande parte da cultura gaúcha”, afirma.
Para o desenvolvimento do trabalho, a estudante utilizou pesquisas bibliográficas como principal recurso, aprofundando-se em estudos relacionados à cultura indígena, à arquitetura e à ocupação do território. O processo de produção do TCC foi descrito por ela como transformador. “A cultura indígena é extremamente ampla e rica, e o melhor desse percurso foi reaprender a enxergar a arquitetura. Somos formados dentro de uma lógica ocidental, e para que o projeto estivesse coerente com o tema, foi necessário pensar tudo a partir de uma visão indígena”, relata. Esse novo olhar orientou todas as decisões projetuais, desde o layout das plantas e a relação entre os espaços, até as volumetrias, fachadas e escolha de materiais. “Ao final do TCC, saí com uma percepção completamente diferente sobre o ato de projetar, mais sensível, consciente e conectada ao significado do espaço”, complementa.
Como resultado, o trabalho propõe a concepção de um complexo cultural com aproximadamente 10 mil metros quadrados, pensado para garantir aos povos indígenas condições reais de uma vida digna. O espaço contempla áreas para o cultivo, para a produção artesanal e para a comercialização dos produtos, além de ambientes destinados à educação e à continuidade da cultura indígena. O projeto busca fortalecer a transmissão de conhecimentos entre gerações e contribuir para que essa cultura siga viva, em constante crescimento, sem o risco de apagamento.
A colação de grau de Eduarda Berno Palharini ocorre no dia 7 de março de 2026, marcando o encerramento de sua formação acadêmica. Após a formatura, a arquiteta pretende seguir atuando na área de projetos, campo no qual se identifica profissionalmente.
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