Projeto Vivências de Galpão revela potencial do tradicionalismo gaúcho para o turismo de experiência
Iniciativa piloto percorreu 31 municípios, envolveu 32 entidades tradicionalistas e já mobilizou 761 participantes na construção de novas experiências turísticas
A cultura gaúcha pode ser muito mais do que patrimônio e tradição: pode se transformar em experiências capazes de gerar conexão, pertencimento, desenvolvimento e novas oportunidades para os territórios. É essa a principal descoberta do Projeto Vivências de Galpão, iniciativa piloto que vem trabalhando diretamente com entidades tradicionalistas do Rio Grande do Sul para identificar, valorizar e transformar elementos autênticos da cultura gaúcha em produtos turísticos.
O projeto que envolve 32 entidades, 31 cidades e 30 regiões tradicionalistas (Caçapava do Sul - CTG Família Nativista; Cachoeira do Sul - CTG Lanceiros do Sul; Canoas - GPF Aldebarã; Caxias do Sul - CTG Negrinho do Pastoreio; Dois Irmãos - ACTG Portal da Serra; Dom Feliciano - CTG Dom Feliciano; Encantado - GAN Anita Garibaldi; Erechim - CTG Galpão Campeiro; Farroupilha - CTG Aldeia Farroupilha; Feliz - CTG Rancho Feliz; Gramado - CTG Manotaço; Horizontina - CTG Carreteiros de Horizonte; Ijuí - Centro de Cultura Nativa Piazito Carreteiro; Iraí - CTG Minuano; Lagoa Vermelha - CTG Alexandre Pato; Lagoa Vermelha - GF Bombacha Preta; Marau - CTG Felipe Portinho; Nova Esperança do Sul - GNF Couro Cru; Nova Prata - CTG Querência do Prata; Osório - CTG Estância da Serra; Palmeira das Missões - CTG Galpão da Boa Vontade; Pelotas - União Gaúcha João Simões Lopes Neto; Piratini - 20 de Setembro CTG; Porto Alegre - CTG Gildo de Freitas; Rio Grande - CCN Sentinela do Rio Grande; Rolante - CTG Passo dos Tropeiros; Sananduva - CTG Doze Braças; Santa Maria - CPF Piá do Sul; Santo Ângelo - CTG Vinte de Setembro; São Jerônimo - DTG Polivalente; Soledade - GAN Vaqueanos da Cultura; Uruguaiana - CTG Sinuelo do Pago) é desenvolvido e executado pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho em parceria com o Governo do Estado, através da Secretaria de Estado do Turismo, já realizou 120 atividades presenciais e on-lines, mobilizou 761 participantes, número que representa um crescimento de 88,75% em relação à meta inicial de 320 participantes.
Mais do que oferecer capacitações, o Vivências de Galpão foi estruturado como um projeto piloto, criado para testar uma metodologia, identificar aprendizados, avaliar resultados e aperfeiçoar um modelo que possa ser replicado em outras entidades tradicionalistas, transformando assim suas potencialidades culturais em novas oportunidades de atuação, geração de valor e sustentabilidade.
Esse propósito orienta a atuação do projeto e faz com que, ao longo de suas atividades, já tenham sido envolvidos 45 participantes, entre palestrantes e especialistas, capazes de trazer novos conhecimentos, perspectivas e reflexões, estimulando a mudança necessária na forma de pensar e de perceber as potencialidades das entidades pelos seus participantes.
Da tradição à experiência turística
A proposta parte de uma premissa: não é necessário criar uma identidade turística para o Rio Grande do Sul; é preciso reconhecer, organizar e transformar em experiência aquilo que já faz parte da identidade gaúcha.
Para o projeto, a resposta está na memória construída a partir de experiências únicas, autênticas e difíceis de reproduzir em outros destinos. Por isso, o trabalho busca descobrir o que cada entidade possui de singular e transformar esse patrimônio cultural em experiências que possam ser vividas e valorizadas por moradores e visitantes.
A metodologia foi organizada em quatro fases: Descobrir, Transformar, Formatar e Sustentar. Na primeira etapa, são identificadas as potencialidades culturais de cada entidade. Na sequência, entram aspectos como empreendedorismo, plano de negócio, marketing e gastronomia. Depois, as experiências são estruturadas, validadas e testadas. Por fim, a metodologia trabalha a elaboração de projetos, captação de recursos e qualificação estrutural, incluindo o repasse de R$ 50 mil para infraestrutura previsto para a etapa de sustentação.
Cada galpão, uma história diferente
Um dos principais resultados do projeto foi perceber que não existe uma única fórmula para transformar a cultura gaúcha em experiência turística.
A aplicação da mesma metodologia nas 32 entidades produziu descobertas diferentes. Em Rolante, por exemplo, o destaque está na herança gastronômica relacionada ao tropeirismo. Em Piratini, uma das possibilidades identificadas está ligada à rica história da cidade e do CTG. Já em Sananduva, o trabalho encontrou na própria essência do CTG um potencial para uma experiência diferenciada. A diversidade destes resultados reforça uma das premissas do projeto: a experiência turística precisa nascer da identidade de cada lugar, e não de um roteiro padronizado.
Um produto turístico com identidade própria
Durante as atividades realizadas, surgiu a percepção considerada estratégica para o turismo do Rio Grande do Sul: o Estado possui um patrimônio cultural com potencial para ocupar um espaço próprio no mercado de experiências. A constatação foi expressa durante uma das imersões realizadas pelo projeto: "Temos o turismo religioso, o de vinhos, e falta o do gaúcho."
A proposta do Vivências de Galpão é justamente avançar nessa direção, aproximando turismo e tradicionalismo e criando experiências relacionadas à gastronomia, dança, música, história, hospitalidade, usos, costumes e à essência do SER gaúcho.
Para Ricardo Bertolucci, secretário de Turismo de Gramado, o projeto chega para agregar ao destino e se conecta ao novo posicionamento do município, "Gramado - Feita de Histórias". Segundo ele, a iniciativa mostra que a identidade cultural e a tradição também têm papel fundamental em inspirar visitantes e gerar novas oportunidades para a comunidade.
"O Vivências de Galpão reforça o turismo de experiência e chega para agregar ao destino Gramado. É um projeto que se conecta perfeitamente ao nosso novo posicionamento 'Gramado - Feita de Histórias', mostrando que a nossa identidade cultural e a nossa tradição também têm um papel fundamental em inspirar nossos visitantes e gerar novas oportunidades para a nossa comunidade."
Para Veridiana Abrão, secretária de Turismo, Cultura, Desenvolvimento Econômico e Tecnologia de Rolante, o projeto representa um marco inicial para o desenvolvimento do turismo de experiência no município. Ela destaca três contribuições principais: inovação no turismo, ao transformar a tradição tropeira em uma experiência real; profissionalização, por meio da capacitação da comunidade para acolher o turista com olhar técnico e excelência; e geração de oportunidades, com potencial para movimentar o comércio, a gastronomia e as agroindústrias locais a partir do fluxo de visitantes.
"Estou muito entusiasmada com esse início e convicta de que esse projeto do MTG está beneficiando não só a entidade, que é o CTG Passo do Tropeiro, mas também as pessoas que juntos fazem parte deste trabalho. E tenho a certeza de que trará frutos extraordinários para Rolante!"
Em Encantado, a secretária de Turismo, Cultura e Esporte, Karina Mezzomo, também destaca o potencial da iniciativa para fortalecer a identidade cultural, aproximar o turismo da história local, gerar pertencimento e movimentar a economia.
Uma metodologia que pode ser ampliada
Os resultados obtidos até o momento indicam que o tradicionalismo pode desempenhar um papel ainda maior na cadeia turística do Estado. O projeto, ao identificar nas entidades participantes elementos como hospitalidade, gastronomia, dança, cultura e a própria essência gaúcha, fortalece o entendimento de que estes fatores são ativos capazes de gerar novas experiências.
Para Rui Rodrigues, encarregado da Guaiaca e administrador do CTG Presilha do Pago, a iniciativa representa uma oportunidade de ampliar conhecimentos e criar novas possibilidades para a sustentabilidade das entidades.
A percepção também é compartilhada por Fernando Gusen, patrão do CTG Manotaço, de Gramado, que destaca a busca por uma experiência verdadeira e autêntica, capaz de apresentar ao visitante a cultura vivida nos galpões e CTGs do Rio Grande do Sul.
O Projeto Vivências de Galpão mostra, assim, que a tradição não precisa permanecer apenas como memória do passado. Quando identificada, organizada e transformada em experiência, ela pode se tornar também um caminho para o futuro.
A próxima etapa é fazer com que essas descobertas deixem de ser apenas potencial e possam se transformar em experiências capazes de conectar visitantes e comunidades àquilo que o Rio Grande do Sul tem de mais singular: sua própria identidade. Mais informações pela página no Instagram @vivenciasdegalpao

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