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Arebanhando Gado

O Início Do Povoamento De Gado No Rio Grande Do Sul
    Em 1533, Martin Afonso de Sousa desembarcou as primeiras cabeças de gado no Brasil. Em 1541, o adelantado espanhol Alvear Nuñes Cabeça de Vaca desembarcou em São Vicente bovinos 'Cuernos Largos'.  
    Em 1555, os irmãos Góis e o vaqueano "Gaete"  levaram as primeiras sete vacas e um touro para Assunção-Paraguai. Posteriormente, o governador espanhol Hernando Arias de Saavedra introduziu o gado na Bacia do Prata.  
    O padre Roque González de Santa Cruz, fundador das primeiras 'Missões', é considerado o primeiro tropeiro rio-grandense porque em 1626 introduziu o gado no Rio Grande do Sul. Parte deste gado, levado pelos índios Tapes em picadas abertas nos matos Castellhano e Português, iniciou a 'Vacaria dos Pinhais' e espalhou-se pelos campos de Cima da Serra.  
   Em 1640, com a expulsão dos jesuítas do Brasil, o gado de arribada cresceu livremente durante mais de meio século e propagou-se em praticamente todo o território do Rio Grande do Sul. Em 1705, Silvestre Gonzáles descreve que cerca de 400.000 cabeças de gado xucro foram conduzidas, por cerca de 1.000 índios montados, da Vacaria para as Missões num percurso de cerca de 1.300 km.  
    Logo em seguida à fundação da Colônia do Sacramento em 1º.jan.1680 e de Laguna em 1684, iniciou-se o reconhecimento do território do Rio Grande e em 1703 já existia um roteiro completo, incluindo os caminhos do litoral e a descrição e duração das diversas etapas de cada percurso.  
    A importância que assumia a região foi mostrada por Rodrigo César de Menezes, governador da Capitania de São Paulo, quando em 3.out.1722 enviou carta ao Rei de Portugal: "Não deve V. Majestade dilatar a resolução de mandar povoar toda aquela Fronteira, de cuja capacidade pela abundancia e fartura se pode fazer uma das maiores povoações da América".  
    Os lagunistas tropeavam grandes rebanhos de gado selvagem existente na região da 'Vacaria do Mar' até o canal do Rio Grande e foram estabelecendo por volta de 1723 as primeiras invernadas ao longo da faixa litorânea, entre a atual São José do Norte até as proximidades de Torres, como conseqüência do comércio deste gado com o centro do país.  
    Em 1725, o capitão-mor Brito Peixoto envia de Laguna seu genro João de Magalhães em missão militar com 30 homens, na maioria escravos pardos, para estabelecer-se na margem norte da barra do Rio Grande e impedir que os espanhóis e os índios ali se fixassem, garantindo a passagem das tropas provenientes do sul.
    Em 1726, Francisco de Brito Peixoto escreveu para o Rei: "Mandei no serviço de S.M. que Deus Guarde, para o Rio Grande de São Pedro 31 homens à minha custa, e por capitão deles o meu genro João de Magalhães, a quem ordenei que chegando à paragem do Rio Grande escolhessem algum lugar que fosse mais conveniente para formarem as suas casas em forma de povoação e logo façam canoas de pau, suficientes para serventia de passagens de gado, encomendando-lhes também aquele zelo e diligência de passarem gado para esta parte da nossa campanha para a multiplicação, pois é um grande serviço que se faz a EI-Rei Nosso Senhor, enxotando-o para o meio da campanha para o dito gado tomar posse (...) Também se me oferece dizer a Vmc. que já desta banda do Rio Grande se acham 800 rezes de gado vacum que mandei buscar das campanhas à minha custa (...) por entender que nisso fazia serviço a S.M. que Deus Guarde, para a multiplicação na campanha desta parte, e por não haver nela gado algum e ter capacidade para nela estarem milhões de gado, e na diligência de conduzir mais estou sempre (...) Também digo a Vme. que tenho adquirido a boa amizade dos índios minuanos (...) e ser conveniente ao real serviço a amizade destes gentios, por estarem as campanhas francas para delas se tirar quanto gado quiserem."  
    A 'Tropa de João de Magalhães', como ficou conhecida, também tinha por finalidade preparar uma povoação à beira do canal do Rio Grande. Entretanto isto não ocorreu e os componentes da expedição voltaram para Laguna em 1727, onde João de Magalhães se encontrava ainda em 1733 como oficial da Câmara. Sobre a impossibilidade de povoar o Rio Grande, assim se expressou a Câmara de Laguna, em Ata de 10 de novembro de 1726: "Não há quem queira ir para o dito Rio Grande, nem pessoas com posses que possamos nomear para principiar a povoação nela, porque todos os moradores são muito pobres e vivem miseravelmente de suas pescarias em ranchos de palha, e o Rio Grande de São Pedro se não pode povoar sem S. M. mandar casaes, e mandarem-lhes assistir o primeiro ano com sustento por conta da sua real Fazenda, e também mandar oficiaes de pedreiros, telheiros, carpinteiros e ferreiros erigirem a dita povoação e forma de defensa para ela, para que os castelhanos e gentios que há naquelas partes não venham invadi-los e os matem, como costumam fazer aos que encontram na campanha."  
    O sargento-mor Francisco de Souza e Faria dá início em 11.dez.1728, no sítio denominado 'Morro dos Conventos' próximo à barra do Rio Araranguá, ao primeiro rasgão na mata chegando no ano seguinte ao topo dos Aparados da Serra, onde encontrou pastagens admiráveis e uma imensidade de cabeças de gado oriundo das campanhas da Colônia, lançado naquelas paragens em 1712 pelos índios Tapes remanescentes das aldeias jesuíticas.  
    Entre os anos de 1728 e 1732, o coronel Cristóvão Pereira de Abreu dá abertura à estrada que ficou conhecida como o 'Caminho das Tropas', partindo dos Conventos, na foz do rio Araranguá, seguindo pelo vale deste rio em direção ao planalto e daí para Curitiba e São Paulo, para facilitar o trânsito de tropas desde o Rio da Prata até Minas Gerais. O 'Caminho das Tropas' transformou-se na via do progresso da época, mas determinou o isolamento de Laguna deslocando-a da rota dos centros comerciais. Seus líderes e moradores, que a princípio movimentaram-se contra a construção desta estrada, decidiram migrar para o Rio Grande do Sul figurando como os primeiros estancieiros gaúchos.  
     Vídeo: Tropa de Gado
    Em 1732, foram concedidos os primeiros títulos de sesmarias. Este fato geralmente ocorria posteriormente à posse, porque o beneficiado já deveria, preliminarmente, estar estabelecido com criação de animais e lavouras. Nos requerimentos feitos nesta época pelos primeiros interessados em receber sesmarias, consta que suas famílias continuavam em Laguna mas já tinham povoado os campos de Tramandaí com gado vacum e cavalar.  
    Em 1733, os donos de invernadas procuraram legitimar suas posses transferindo residência com suas famílias para o Rio Grande do Sul. Muitos dos grandes fazendeiros eram inicialmente tropeiros que conduziam tropas para o centro do país.  
    Em junho de 1736, sai do Rio de Janeiro com uma frota de 200 homens o brigadeiro José da Silva Paes e aporta a 19 de fevereiro de 1737 na barra do Rio Grande. Funda a fortificação 'Jesus-Maria-José' para proporcionar apoio militar à Colônia do Sacramento. José da Silva Pais estabelece o projeto das linhas de defesa e assenhora-se da faixa de terras entre a barra do Rio Grande até o Chuí, onde vagavam mais de oitenta mil cabeças de gado de arribada.  
    A troca de correspondência entre as autoridades demonstra o crescimento acelerado da povoação, que tirava sustento principalmente, do comércio de gado, animais de carga, couro, sebo e charque: "Cresce o povoado de Rio Grande com novas levas de povoadores que chegam do Rio de Janeiro, de Laguna em Santa Catharina e da Colônia do Sacramento. O chefe da Vila André, Ribeiro Coutinho, procura incrementar a incipiente indústria de carnes. Aos tropeiros que fazem pelas campanhas grandes arreadas de gado, paga para o consumo das tropas, 800 réis por cabeça de vaca. E a Manoel Gomes Pereira que estabeleceu uma xarqueada, compra por ordem de Silva Paes, toda a produção para munício da força. Como reserva imprescindível ao sustento do nascente povoamento havia-se fundado a Estância Real do Bojurú. Em 1738 contavam-se neste Estabelecimento que abrangia larga área de campos cerca de 1.500 éguas e 2.000 vacas que já estavam corridas, e mais de 8.000 outras em cujo total pretendido era de 45.000 reses. Era considerável a quantidade de couros que anualmente exportava o Bojurú, enchendo todas as embarcações que demandavam a barra do Rio Grande." Cosme da Silveira foi o primeiro administrador de Bojurú, a primeira estância real do Rio Grande do Sul.  Fonte: Geologia.com

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