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Batalha de Caiboaté



    A Batalha de Caiboaté 
        O monumento construído de pedras em forma piramidal e a cruz em alvenaria de cinco metros de altura, que substituiu a antiga cruz de toras de madeiras assentada por padres jesuítas são marcos que identificam o local da sangrenta Batalha de Caiboaté, verdadeira hecatombe, que aconteceu no município de São Gabriel – RS. 
         Dia 07-02-1756, foi morto o grande líder e corregedor Sepé Tiaraju natural de São Luiz Gonzaga – RS   e três dias depois travava-se na localidade de Caiboaté Grande, interior do município de São Gabriel – RS num improviso feito por Nicolau Neenguiru, corregedor de Concepción, que comandava os índios missioneiros onde, desse confronto que pode ser chamado de um verdadeiro massacre,  numa ação conjunta  das tropas coligadas luso-hispânicas que em março de 1754,  José de Andonaegui, governador de Buenos Aires e comandante do exército espanhol-platino reuniu-se com Gomes Freire de Andrada, luso-brasileiro e governador do Rio de Janeiro juntamente com o comissário Marquês de Valdelírios e organizaram a união desses exércitos de Espanha e Portugal.
         Pior que uma batalha, essa carnificina, esse triste episódio lá em Caiboaté foi uma faina assassina, onde perderam a vida mais de 1500 nativos guaranis das Missões Jesuíticas. Nessa chacina os índios foram varados por lanças, por espadas, aconteceram degolas, outros tantos foram vitimados pelos canhões e imperou-se uma enorme brutalidade que não considerou nem os pedidos de clemência dos índios. Somente uns 150 índios foram tomados como reféns, contam os relatos históricos. 
    Dessa barbárie, que durou menos de duas horas, o chão tingiu-se de sangue misturado ao esterco dos cavalos e a grama cortada pelas patas desses animais. Do lado vencedor as baixas foram menos de uma dúzia e menos de 50 feridos.
    Em maio desse ano as tropas ocuparam os Sete Povos das Missões, sendo que na data de 17-05-1756, a Redução de São Miguel foi tomada.
         Além dos interesses mercantis e outros interesses das cortes de Espanha e Portugal, havia uma outra cultura antiga vigente nessa época que não respeitava a figura humana do nativo, que eram na verdade vistos como bichos em muitos casos. Vejamos, por exemplo, voltando um pouco no tempo, pelo Tratado de Tordesilhas firmado em 07 de junho de 1494, foi celebrado entre a Coroa de Castela e o Reino de Portugal para dividir as terras que fossem descobertas ou por descobrir por ambas as Coroas fora do continente Europeu. Deste modo o mundo  foi dividido entre português e espanhol. Aqui onde hoje é a região dos Sete Povos, fazíamos parte do domínio espanhol.  Naquela época para o Europeu quem não habitava nas cidades era silvícola, ou seja, originário do mato. Por incrível que pareça até 1534, os silvícolas, mais tarde chamados de índios, eram considerados sem alma. Por isso mesmo o ser humano branco, conquistador e dominador, não respeitava os índios em toda a sua plenitude sobre os seus  direitos humanos.  O termo índio foi designado aos silvícolas (nativos) pelo grupo da nau de Pedro Álvares Cabral, que ao chegarem aqui em 22-04-1500, onde hoje é o território brasileiro, sendo que os marinheiros pensaram que, naquela expedição, estivessem chegando à Índia.

  • Sobre

  •      Então voltando ao nosso foco principal do assunto sabemos que essa tragédia da chamada Guerra Guaranítica que, nessa carnificina, espetáculo horripilante, ceifou tantas vidas foi fruto de uma enorme disparidade, de um desequilíbrio de forças entre as partes, inclusive em termos numéricos onde o lado vencedor dispunha em torno de 4000 homens e também foi grande a diferença do preparo dos efetivos humanos,  habilidades, poderio bélico e a própria verdade que não imperou em determinado momento contribuindo para essa matança desenfreada. Na base dos acontecimentos havia o interesse em expulsar os indígenas dos aldeamentos fundados pelos jesuítas da Companhia de Jesus, pois em 13 de janeiro de 1750, foi assinado o Tratado de Madrid firmado na capital espanhola entre os reis Fernando VI, da Espanha e o João V, de Portugal com o objetivo de definir os limites entre as colônias sul-americanas dividindo, assim, a área territorial da América do Sul entre si. Até a data da assinatura do tratado este território pertencia à Espanha. Na verdade sempre houve um jogo de poder entre Espanha e Portugal visando estabelecer limites de fronteiras. Então buscou-se entregar a Portugal a área geográfica dos Sete Povos em troca da Colônia do Sacramento no Uruguai. Uma troca descabida haja vista que foi dado apenas um ano para que isso se efetivasse. Hoje, mesmo em tempos mais civilizados, não há como aceitar esse absurdo cometido para com os nativos forçando-os para que estes deixassem a sua terra natal e rumassem para terras alheias. Sabe-se que em torno de 30.000 índios, através de suas famílias,  teriam de abandonar as suas cidades, as lavouras, os ervais, o gado, enfim, a sua terra que lhes era sagrada e, por conseguinte, a sua vida e a sua fé  e bandear-se para o lado ocidental do rio Uruguai e para o sul do Rio Ibicuí onde as posses eram castelhanas e, por conta disto, vir  colonos açorianos para a Região dos Sete Povos. A proposta de troca deu-se em virtude de que a Espanha sentiu-se, de tal modo, ameaçada devido ao progresso e sucesso da Colônia do Sacramento, pois esta situava-se lá na boca do Prata e era, por conseguinte, um lugar estratégico, geográfico e mercantil na mão dos portugueses.
         O Tratado de Madrid foi desfeito em 1761 pelo Convênio do Pardo, pois houve uma grande dificuldade para se fazer o translado das famílias indígenas pelos comissários que foram os demarcadores das novas fronteiras. Sabe-se que após a expulsão dos índios e dos jesuítas o território missioneiro passou a ser administrado por agentes públicos da Coroa da Espanha e incorporado à Coroa Portuguesa. 
    E assim consumou-se a destruição do projeto missioneiro onde além de todas as perdas humanas e materiais, a terra que pertencia à propriedade do povo, foi aniquilada grande parte da cultura e da arte e dos demais usos e costumes plantados pelos jesuítas. 
    Somente em 06 de junho de 1801, com a assinatura do Tratado de Badajós foram terminando os conflitos e as disputas envolvendo as nações ibéricas.
         Da nação indígena, mesmo aniquilada, os que sobraram contribuíram na mestiçagem para a formação do povo rio-grandense-do-sul dentre outras culturas deles que ainda existem em nosso meio.
    Na verdade hoje há uma necessidade de um grande pedido de perdão aos povos indígenas por todos esses massacres, um reconhecimento maior que seja notório sobre a memória de Sepé Tiaraju que combateu a opressão espanhola e portuguesa, que é herói missioneiro, herói guarani, herói do Rio Grande e herói nacional. Devemos, sim, tê-lo como uma forte e marcante referência na luta pela fé, pela liberdade e pela vida,  pela terra contra a presença dos males, pois cuidar da terra é cuidar da nossa casa comum. A própria frase Co Yvy Oguereco Yara, ou seja, Esta Terra Tem Dono é atribuída a Sepé sendo a figura dele um defensor terrunho. Que os exemplos dele nos estimulem a vivermos na fraternidade com a consciência de que, sem ser  bairristas, devemos preservar a paz, porém não permitirmos certas intromissões estrangeiras que venham afetar aquilo que é nosso. 
    Pois como disse o saudoso poeta bossoroquense João Luiz Bandeira da Silva: quem ama a sua terra respeita a terra alheia, mas exige respeito ao que é seu. 
    Portal: Escritor João Antunes poeta, historiador e compositor 

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Batalha de Caiboaté
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